“Então,
Maria, tomando uma libra de bálsamo de nardo puro, mui precioso, ungiu os pés
de Jesus e os enxugou com os seus cabelos; e encheu-se toda a casa com o
perfume do bálsamo”, (Jo 12:3).
Lendo todo o livro de João, e não só este capítulo,
vemos que Jesus era amigo de Lázaro e de suas irmãs Marta e Maria. Reunia-se
com eles e partilhavam bons momentos em Sua companhia e aprendiam com Seus
ensinamentos. Quando Lázaro adoeceu, suas irmãs mandaram chamar Jesus, reconheciam
n’Ele o Amigo, o Mestre, o Socorro bem
presente e o Único que tinha Poder para curar os enfermos. E Jesus, demorando,
propositalmente, no caminho, quando chega à Betânia já o encontrou morto de
quatro dias.
Jesus sabia que Lázaro morreria, mas também sabia que
a maravilha que iria operar, seria muito maior da que pensavam que poderia
fazer e esperavam d’Ele. Por isso, ao receber o recado, disse aos Seus discípulos:
“Essa enfermidade não é para morte, mas para a Glória de Deus”. Desta pequena
parte podemos depreender três verdades importantíssimas e invariáveis, já que
em Deus não encontramos sombra de variação.
Primeiro, Jesus é onisciente, Ele tem conhecimento de
todas as coisas, de tudo o que nos acontece, de todos os pensamentos, do
passado, do presente e mesmo do futuro, Ele é Soberano.
Segundo, Jesus sempre tem e nos dá muito mais do que
pedimos ou pensamos, Ele é
Misericordioso e tem prazer em nossa felicidade.
Terceiro, Ele, para testificação de Sua Glória, não
faz nada sem antes avisar aos Seus profetas.
Ao chegar em Betânia encontrou Marta e Maria tristes
pela morte de seu irmão e ambas, separadamente, mostraram-se decepcionadas e
tristes por Jesus não ter chegado a tempo de curar Lázaro. Elas criam no poder
de Jesus, mas para elas, esse era limitado apenas à cura. Ambas Lhe disseram:
“Senhor, se estiveras aqui, meu irmão não teria morrido”. Sugerindo que Ele
chegara atrasado e, por isso, estava impossibilitado de agir.
Jesus não as repreendeu por sua fé limitada e nem as
puniu por isso. Mesmo sabendo a maravilha que realizaria e a alegria que dela
repercutiria, Ele se entristeceu pela dor e pela tristeza de seus amados e,
ainda mais, entristeceu-se por falta de fé deles no que havia acabado de
afirmar. Jesus sofre com o nosso sofrimento, e Se entristece por nós e conosco.
Ele comoveu-Se com sua dor e chorou por sua fé tão limitada.
Mas não ficou chorando, Ele agiu com Amor e Poder
intervindo naquela situação de angústia e dor dando um basta e restituindo o
que fora perdido. Sempre que necessitamos e O buscamos Ele nos socorre. Mesmo que as circunstâncias sejam terríveis e
estejamos mortos e cheirando mal; mesmo que nossa fé seja limitada Ele não nos
nega Sua ação, seu Poder, Seu Amor. E nossa fé sempre será pequena, porque
andamos de fé em fé, crescendo espiritualmente, buscando a estatura de varões
perfeitos. Por isso temos de nos alimentarmos
com a verdadeira comida espiritual, a Sua Palavra.
Os relatos bíblicos nos mostram que desde que
conhecera Jesus, Maria esteve atenta aos Seus ensinamentos, saboreava Suas
Palavras mais doces que o mel e mais valiosas que o puro ouro refinado.
Reconhecia-O como Senhor, como Mestre e como Filho de Deus, mas até a
restituição de Lázaro, por mais que não pensasse ou dissesse, ela O via
limitadamente. Devia pensar, confiante: “Ele é o Filho de Deus, faz
milagres...tem poder... Ele é o Mestre, nos traz ensinamentos e palavras
edificantes e de Paz”. Mas quando viu Lázaro morto de quatro dias e cheirando
mal, deve ter pensado desalentada: “... agora Ele não pode fazer mais nada, o
Seu Poder parou frente à morte”. Muitos de nós, frente a certas situações,
pensamos assim. Mas Ele venceu a morte.
Jesus diante daquela situação, aparente e humanamente
final, sem volta, disse: “EU SOU A RESSURREIÇÃO E A VIDA. QUEM CRÊ EM MIM,
AINDA QUE MORTO VIVERÁ...”. Àquelas
áreas de nossa vida ou àquelas pessoas que amamos e estão mortas em seus
delitos Jesus diz: “EU SOU O QUE SOU, EU SOU O CAMINHO, E A VERDADE E A VIDA, EU
SOU A RESSURREIÇÃO, BASTA BEBER DA ÁGUA QUE EU LHE DER E NUNCA MAIS
TERÁ SEDE, QUEM CRER EM MIM, COMO
DIZ A ESCRITURA, DO SEU INTERIOR FLUIRÃO RIOS DE ÁGUA VIVA.
Quando chegamos ao cap 12 e vemos Maria derramar o
bálsamo, podemos entender o seu gesto profundo que pelos princípios naturais
não podemos entender. Talvez disséssemos, como Judas, que fora um desperdício
ou que não era necessário ou até que deve ter atrapalhado a ceia, interrompendo
a conversa e pondo a casa com o cheiro muito forte de perfume.
Assim como Marta, que por amor e gratidão preparou a
melhor ceia que lhe fora possível, tendo todo o esmero e capricho em dar o seu
melhor a Jesus, o seu Senhor, Maria demonstrou gratidão profunda e o
reconhecimento de que Aquele verdadeiramente era o Filho de Deus, o Todo
Poderoso, e em ato de adoração derramou sobre Seus pés o que tinha de melhor, o
bálsamo, perfume agradável às Suas narinas e num reconhecimento de suas
próprias limitações, e de que sendo pó, estava diante do Messias e do Seu
Salvador, então, enxugou Seus pés com seus cabelos, o seu véu natural.
O Senhor quer que sejamos adoradores em espírito e em
verdade, (Jo 4:24) e quer receber de nós o bálsamo, o perfume agradável de
nossas orações.
Por isso o Espírito Santo, através de Paulo, nos
convoca: “Orai sem cessar”. E o Senhor
Jesus, em Lucas 18:1 nos alerta sobre “o dever de sempre orar e nunca
esmorecer”.
Denise
Gaspar – 27-02-2001

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