sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Adoração

 “Então, Maria, tomando uma libra de bálsamo de nardo puro, mui precioso, ungiu os pés de Jesus e os enxugou com os seus cabelos; e encheu-se toda a casa com o perfume do bálsamo”, (Jo 12:3).


Lendo todo o livro de João, e não só este capítulo, vemos que Jesus era amigo de Lázaro e de suas irmãs Marta e Maria. Reunia-se com eles e partilhavam bons momentos em Sua companhia e aprendiam com Seus ensinamentos. Quando Lázaro adoeceu, suas irmãs mandaram chamar Jesus, reconheciam n’Ele o  Amigo, o Mestre, o Socorro bem presente e o Único que tinha Poder para curar os enfermos. E Jesus, demorando, propositalmente, no caminho, quando chega à Betânia já o encontrou morto de quatro dias.
Jesus sabia que Lázaro morreria, mas também sabia que a maravilha que iria operar, seria muito maior da que pensavam que poderia fazer e esperavam d’Ele. Por isso, ao receber o recado, disse aos Seus discípulos: “Essa enfermidade não é para morte, mas para a Glória de Deus”. Desta pequena parte podemos depreender três verdades importantíssimas e invariáveis, já que em Deus não encontramos sombra de variação.
Primeiro, Jesus é onisciente, Ele tem conhecimento de todas as coisas, de tudo o que nos acontece, de todos os pensamentos, do passado, do presente e mesmo do futuro, Ele é Soberano.
Segundo, Jesus sempre tem e nos dá muito mais do que pedimos ou pensamos, Ele é  Misericordioso e tem prazer em nossa felicidade.
Terceiro, Ele, para testificação de Sua Glória, não faz nada sem antes avisar aos Seus profetas.
Ao chegar em Betânia encontrou Marta e Maria tristes pela morte de seu irmão e ambas, separadamente, mostraram-se decepcionadas e tristes por Jesus não ter chegado a tempo de curar Lázaro. Elas criam no poder de Jesus, mas para elas, esse era limitado apenas à cura. Ambas Lhe disseram: “Senhor, se estiveras aqui, meu irmão não teria morrido”. Sugerindo que Ele chegara atrasado e, por isso, estava impossibilitado de agir.
Jesus não as repreendeu por sua fé limitada e nem as puniu por isso. Mesmo sabendo a maravilha que realizaria e a alegria que dela repercutiria, Ele se entristeceu pela dor e pela tristeza de seus amados e, ainda mais, entristeceu-se por falta de fé deles no que havia acabado de afirmar. Jesus sofre com o nosso sofrimento, e Se entristece por nós e conosco. Ele comoveu-Se com sua dor e chorou por sua fé tão limitada.
Mas não ficou chorando, Ele agiu com Amor e Poder intervindo naquela situação de angústia e dor dando um basta e restituindo o que fora perdido. Sempre que necessitamos e O buscamos Ele nos socorre.  Mesmo que as circunstâncias sejam terríveis e estejamos mortos e cheirando mal; mesmo que nossa fé seja limitada Ele não nos nega Sua ação, seu Poder, Seu Amor. E nossa fé sempre será pequena, porque andamos de fé em fé, crescendo espiritualmente, buscando a estatura de varões perfeitos.  Por isso temos de nos alimentarmos com a verdadeira comida espiritual, a Sua Palavra.   
Os relatos bíblicos nos mostram que desde que conhecera Jesus, Maria esteve atenta aos Seus ensinamentos, saboreava Suas Palavras mais doces que o mel e mais valiosas que o puro ouro refinado. Reconhecia-O como Senhor, como Mestre e como Filho de Deus, mas até a restituição de Lázaro, por mais que não pensasse ou dissesse, ela O via limitadamente. Devia pensar, confiante: “Ele é o Filho de Deus, faz milagres...tem poder... Ele é o Mestre, nos traz ensinamentos e palavras edificantes e de Paz”. Mas quando viu Lázaro morto de quatro dias e cheirando mal, deve ter pensado desalentada: “... agora Ele não pode fazer mais nada, o Seu Poder parou frente à morte”. Muitos de nós, frente a certas situações, pensamos assim. Mas Ele venceu a morte.  
Jesus diante daquela situação, aparente e humanamente final, sem volta, disse: “EU SOU A RESSURREIÇÃO E A VIDA. QUEM CRÊ EM MIM, AINDA QUE MORTO VIVERÁ...”.  Àquelas áreas de nossa vida ou àquelas pessoas que amamos e estão mortas em seus delitos Jesus diz: “EU SOU O QUE SOU, EU SOU O CAMINHO, E A VERDADE E A VIDA, EU SOU A RESSURREIÇÃO, BASTA BEBER DA ÁGUA QUE EU LHE DER E  NUNCA MAIS  TERÁ SEDE,  QUEM CRER EM MIM, COMO DIZ A ESCRITURA, DO SEU INTERIOR FLUIRÃO RIOS DE  ÁGUA VIVA.
A Vitória está em crer n’Ele, não há o que Ele não possa fazer. Ele é o Todo Poderoso.
Quando chegamos ao cap 12 e vemos Maria derramar o bálsamo, podemos entender o seu gesto profundo que pelos princípios naturais não podemos entender. Talvez disséssemos, como Judas, que fora um desperdício ou que não era necessário ou até que deve ter atrapalhado a ceia, interrompendo a conversa e pondo a casa com o cheiro muito forte de perfume.
Assim como Marta, que por amor e gratidão preparou a melhor ceia que lhe fora possível, tendo todo o esmero e capricho em dar o seu melhor a Jesus, o seu Senhor, Maria demonstrou gratidão profunda e o reconhecimento de que Aquele verdadeiramente era o Filho de Deus, o Todo Poderoso, e em ato de adoração derramou sobre Seus pés o que tinha de melhor, o bálsamo, perfume agradável às Suas narinas e num reconhecimento de suas próprias limitações, e de que sendo pó, estava diante do Messias e do Seu Salvador, então, enxugou Seus pés com seus cabelos, o seu véu natural.
O Senhor quer que sejamos adoradores em espírito e em verdade, (Jo 4:24) e quer receber de nós o bálsamo, o perfume agradável de nossas orações.
Por isso o Espírito Santo, através de Paulo, nos convoca: “Orai sem cessar”. E o Senhor  Jesus, em Lucas 18:1 nos alerta sobre “o dever de sempre orar e nunca esmorecer”.


Denise Gaspar – 27-02-2001

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