quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Praticar a Justiça de Deus

Nisto são manifestos os filhos de Deus e os filhos do diabo: todo aquele que não pratica a justiça não procede de Deus, nem aquele que não ama a seu irmão”. 1Jo3:10

Praticar a justiça não significa ser justo como normalmente se entende. Levar tudo ‘à ponta de faca’, como diz minha mãe, e ser zeloso da lei julgando, todo o tempo, dizendo o que é certo e o errado; não é praticar a justiça.
Ser zeloso da lei, dessa forma, leva à contínua condenação porque ninguém é cumpridor da lei. Você já reparou que pessoas assim só conseguem perceber o lado ruim das coisas; têm sempre uma ponderação e/ou uma crítica a fazer; dificilmente fazem um elogio e quando o fazem tem sempre uma vírgula e um “mas” sem seguida? Essa é a justiça humana.
Quando diz “praticar a justiça” está se referindo à Justiça de Deus.
Justiça em que a misericórdia triunfa sobre o juízo. Justiça nutrida pelo amor que faz ao outro o bem que deseja que lhe seja feito todas as vezes em que erra, (ainda que o outro seja o inimigo ou o perseguidor). Justiça que ama ao próximo como a si mesmo. Justiça que mede com a medida com que deseja ser medido. Justiça que compreende: “Bem-aventurado os misericordiosos porque alcançarão misericórdia”.
Praticar a Justiça de Deus é amar o outro.
Quando diz que devemos “amar ao irmão” levanta um questionamento: como não amar ao irmão? Professamos a mesma fé, temos o mesmo Pai, somos guiados pelo mesmo Espírito, então, como odiá-lo? A dificuldade reside aí. Infelizmente porque muitos, embora digam confessar a mesma fé, não estão buscando verdadeiramente ao Pai, mas aos Seus favores. Então, não têm comunhão com Seu Espírito que possibilita esse entendimento. Aquele que tem o amor do Pai residindo e reinando em seu coração vê o outro, quem quer que seja, como seu irmão. Alvo de suas orações, objeto do Amor do Pai, razão do Sacrifício de Jesus, motivação para a ação do Espírito de Deus, tanto qualquer um de nós. Portanto, seja o próximo o inimigo, o perseguidor, o opressor, o injuriador, o adversário, ele é objeto de amor. E amá-lo é manifestar a justiça de Deus e amontoar brasas vivas sobre sua cabeça. Brasas que aquecerão sua consciência e permitirão que ele contemple a misericórdia de Deus. E enquanto vivemos um dia após o outro no quebrantamento e na decisão de amar o irmão somos tratados por Deus para sermos aperfeiçoados no amor.
“Aquele que guarda a Sua Palavra, nele, verdadeiramente, tem sido aperfeiçoado o amor de Deus”, 1Jo2:5.
“Porque a mensagem que ouviste desde o princípio é esta que nos amemos uns aos outros... Sabemos que já passamos da morte para a vida porque amamos aos irmãos; aquele que não ama permanece na morte”, 1Jo3: 11 e 14.
Se Deus manda que amemos e diz que ao amarmos somos aperfeiçoados no amor e que isso mostra que já temos a vida Eterna, então, não estamos falando do amor que o mundo conhece. Se o Amor de Deus fosse esse do mundo cheio de vontades e necessárias reciprocidades, esse que diz que todas as suas formas de manifestação valem a pena, não seria necessário o mandamento. Se o Amor de Deus fosse inerente  a natureza humana, não teria sido necessário Jesus Se esvaziar de Sua divindade, Se fazer homem, viver como homem, morrer na Cruz sem ter cometido nenhuma transgressão da Lei, mas carregando todo o nosso pecado e nem depois ressuscitar para nos garantir acesso à Vida Eterna, se o amor humano fosse suficiente o Espírito Santo não precisaria nos capacitar em santificação, entendimento e direção para que amássemos.
O amor humano expressa várias formas de satisfação, dependência, reciprocidade. O Amor de Deus, ao qual nos convida a vier e saborear em alegria e gratidão, é uma decisão unilateral que cobre multidão de pecados e permite e gera a transformação do outro enquanto nós mesmos vamos sendo transformados.
Concordo com você. Duro esse discurso. Irrealizável essa doutrina. O que nos leva ao mandamento de Deus, ao Sacrifício de Jesus, a capacitação do Espírito Santo, à nossa nova vida em Cristo, à nossa total dependência de Deus.
Uma vez aberto o coração para o agir de Deus e caminhando na perspectiva de vivermos um dia de cada vez contemplando Sua face, aprendendo d’Ele e sendo transformados, nos vem a certeza  de que vamos crescendo de decisão em decisão de obedecer, de fé em fé, de glória em glória, de vitória em vitória como a luz do dia que vai brilhando mais e mais até chegar a ser dia perfeito.

Denise Gaspar - 29-10-2011


Obediência

A obediência a Deus é vista como objeto de barganha. Regras de conduta moral que nos fariam acumular ‘bônus’ com os quais trocamos por ‘bênçãos’.

Obediência é fruto direto da confiança. E confiança é decorrente do conhecimento. Eu experimento Deus, conheço a Deus, confio n’Ele e O obedeço.
A obediência só é possível e válida segundo este postulado.
Eu conheço a Deus, conheço Seu caráter, sei que é bom, longânimo, misericordioso, santo, sem sombra de variação. Só O conheço se O experimento.
É preciso andar com Ele. Não dá para conhecer a Deus por ouvir alguém falar d’Ele. Preciso caminhar a Seu lado, ouvir Suas histórias e ensinos, perceber Seus gostos, saber O que admira, o que O deixa feliz, conhecer Sua personalidade, Suas reações, ver como Ele trata os diferentes tipos de pessoas nas diferentes circunstâncias, conhecer Seus propósitos...
Isso requer tempo, convívio, vontade de estar junto e de conhecer, disposição em seguir por onde Ele segue. Só conheço o pão depois de prová-lo, não adianta ficar olhando de longe a vitrine da padaria. Só conheço o pão quando eu o como, depois que ele deixa de ser pão e digerido passa a ser eu.
Jesus é o Pão que desceu do céu.
Então, o experimentei e conheço. Por conhecê-Lo sei que posso confiar n’Ele a ponto de seguir Seus passos mesmo quando não O entendo; mesmo quando, a princípio, discordo. Sei que Sua Vontade para mim é boa, perfeita e agradável, portanto, sigo Seus mandamentos. Eu os obedeço porque sei que o fim deles é vida.

Denise Gaspar - 29-19
-11

Me amar

Amar a Deus sobre todas as coisas e amar ao teu próximo como a ti mesmo.

Amar a Deus acima de qualquer outra pessoa, ídolo, idéia, ou coisa é um mandamento fácil de entender. Temos que amar a Deus mais e além do que amamos a qualquer outra pessoa. Temos que amar a Deus mais do que amamos até a nós mesmos. Portanto, todas as Suas Vontades, Mandamentos e Requisições são indiscutíveis, inegáveis e têm em mim pleno espaço, reconhecimento, concordância e autoridade.

Amar ao próximo como a mim mesma. Para entender como esse amor se manifesta uma questão se levanta imperiosa e aos gritos: como eu me amo? Qual o amor que tenho por mim mesma? E, mais importante, qual o amor que Deus quer que eu tenha por mim mesma?


Denise Gaspar  -  29-10-11

Leitura e leitura

Amélia é que era mulher de verdade....
“Quando eu estava de viagem te roguei para admoestares a certas pessoas, a fim de que não ensinem outra doutrina, nem se ocupem com fábulas e genealogias sem fim, que, antes, promovem discussões do que o serviço a Deus, na fé.
Ora, o intuito da presente admoestação visa o amor que procede do coração puro, e da consciência boa, e de fé sem hipocrisia...
Este é o dever de que te encarrego, ó filho Timóteo...: combate o bom combate, mantendo fé e boa consciência, porquanto alguns, tendo rejeitado a boa consciência, vieram a naufragar na fé”. 1Tm 1: 3 a 5 e 18, 19.

O bom combate é combatido no guardar a fé tendo boa consciência.
Guardar a fé só é possível se conhecemos a Pessoa em quem confia. Essa é a boa consciência. Conhecendo a Deus estamos certos de Seu caráter e, por isso, podemos confiar sob quaisquer circunstancias, e não somos levados pelo engano do que se fala d’Ele por aí os que não O conhecem nem O querem conhecer.

Vou tentar ilustrar o que estou afirmando.
Principalmente nos dias em que vivemos e no Brasil sabemos muitas coisas as quais não conhecemos verdadeiramente.
Nesse mês em que se comemora o centenário de Mario Lago assisti a uma de suas entrevistas no programa Conexão Roberto d’Ávila. E que surpresa gostosa!
Todo nós conhecemos sua composição “Amélia” que só ouvimos alguém cantar se for em tom de deboche ou crítica a uma situação de opressão social.
“Amélia é que era mulher de verdade, Amélia não tinha a menor vaidade, ................... achava bonito passar fome”´.
Quantas críticas já ouvi, quanto deboche, quantas teorias criadas em cima de seus versos. Na Universidade então... onde as pessoas falam muito e teorizam sobre o que não conhecem...
Confesso que a letra sempre me soou mal. Eu achava que não combinava com seu autor. Usava dela na brincadeira, mas sempre com uma interrogação na cabeça.
Quando o próprio compositor, numa entrevista agradável e inteligente ao Roberto d’Ávila, falou sobre a música a letra tomou outro formato para mim. Estabeleceu-se a coerência que faltava, para mim, entre o criador e a criação.
Ele disse que se surpreendia com a repercussão deturpada de seu significado. A composição é a descrição do amor verdadeiro, da paixão. Quando se está apaixonado, as coisas tomam outra dimensão. O que antes era penoso, nesse momento, já não é tão sofrido. “Fala sobre amor e entrega. Não diz que ela tinha prazer em passar fome, mas que ela o amava tanto que se fosse preciso passaria fome a seu lado. Não deixaria de amá-lo por isso e nem o deixaria”. Contou ainda que viveu períodos como esse com sua esposa. Os tempos das ‘vacas magras’ não conseguiram abalar seu amor e seu casamento, mas, ao contrário, os uniu ainda mais.

“Desculpe, morena Marina, mas eu estou de mal”.

“Marina”, na ginga baiana e sensual de Dorival Cayme... Quem já não dançou, namorou ou apenas deu trato a sonhos doces e românticos ao som desse samba canção? Quantas vezes ouvi meu cunhado ao violão cantando gostosamente e com manha de namorador a “Marina” de Cayme. Pensamos na Marina morena que inspirou Dorival a compor esses versos. Quem teria sido? Uma namorada? Uma possível namorada? Uma inalcançável possível namorada? O que o levou a dizer que quando está bravo é incapaz de perdoar? Podemos imaginar mil  Marina e várias possíveis situações, todas enamoradas e cheias de meneios.
Hoje, no entanto, acordei às cinco da manhã e liguei a TV. E lá estava Dorival Cayme falando sobre inspiração. Explicava que as pessoas, em geral, pensam que a inspiração vem de divagações e de uma postura contemplativa e abstrata. Deitado na rede pensado entre um cochilo e outro e, de repente, a inspiração. Mas, ele afirmou que a inspiração pode vir de uma construção. Aí, então, contou de onde veio “Marina”.
Disse que seu segundo filho, o Dori, quando pequeno quando contrariado dizia: “estou de mal”. Um dia ele ficou pensando no “estou de mal”, “estou de mal”, “estou...” e cantarolou a frase: “estou de mal”, “estou...” E construiu a poesia. Não existiu nenhuma Marina, não se refere a nenhum enamoramento, mas às mal criações de seu filho. Depois dessa ‘revelação’ veja se a letra não trata exatamente de uma mal criação.
Conforme ele ia contando eu me desmanchava em risos e ‘ouvia’ meu netinho falando e fazendo o mesmo quando contrariado. “Eu estou muito mal com você... não vou emprestar meu carrinho de bombeiro pra você brincar”.
O que leva as pessoas a acharem que a inspiração é uma tão diferente do que a que moveu o coração do criador? O que leva as pessoas pensarem que o criador quis enviar uma mensagem tão diferente da original?
Falta de conhecimento.
Pegar uma obra pronta e ler a partir de nossos sentidos, afetos e intenções; de nossas realidades, capacidade de análise e de interpretação; de nossos objetivos em explicar uma situação e de justificar alguma coisa é possível e até pode levar a acréscimos sociais, culturais e políticos. Mas em todos os casos temos de deixar registrado que é uma leitura independente da intenção original do seu autor.
Mario Lago nunca fez uma canção defendendo e romantizando a submissão feminina aos caprichos de um homem mal resolvido, autoritário e sem amor.
Dorival Cayme nunca descreveu uma situação de desentendimento amoroso.
Essas interpretações vieram de uma leitura independente de seus propósitos e refletem uma conjuntura social e cultural, como crítica ou justificativa do que se pretenda. Leitura essa que pode mudar com o tempo. As ‘músicas clássicas, como chamamos hoje, e pelas quais em geral se tem um reverente distanciamento como se elas fossem ‘sacras’, em seu tempo eram tidas como profanas. Como os órgão que tocam nas igrejas, hoje, remetem a uma espiritualidade e a uma santidade tradicionais que não refletem sua história.

Acho que você já entendeu o que estou querendo dizer. Não podemos conhecer a Deus de ouvir alguém falar. Não é para um relacionamento cheio de intermediários, memorandos e recados que Deus nos chama. Jesus morreu na cruz e ressuscitou para nos dar livre acesso ao Pai. Para que tenhamos uma vida de comunhão com Ele.
Você quer conhecer a Deus? O que o pastor ou o padre ou o seu amigo dizem pode ser interessante e proveitoso, mas nada substitui o seu momento particular com Ele. O convite é para sentarmos com Ele num particular de Pai e filho.
Temos de querer conhecer o que Deus disse e fez e compôs como Ele realmente pretendeu que fossem. Deus não é um artista, um homem que expressou uma emoção que descreva seu desejo e seu pensamento num determinado momento conforme uma determinada circunstância que pode ser alterada e relida de várias maneiras.
Ele é o Criador da Vida. O Autor e Consumador de nossa fé. Ele é o Amor que surpreende, arrebata e transforma. Então, não dá para manter um relacionamento a distância com Ele. Ele é Pai e, como tal, quer conversar pessoalmente conosco, quer ter momentos de intimidade. Deus não é um deus que se relaciona com as massas. Deus é Deus Pessoal, Ele nos chama pelo nosso nome, nos toma pela nossa mão direita para nos conduzir, tem uma morada preparada para cada um em especial e tem um nome para cada um de nós escrito na palma de Sua mão.
Esse não é um deusinho qualquer.
Deus é Amor e quer revelar esse Amor, ou seja, a Si próprio a cada coração em particular.
Basta você dizer: “eu quero Te conhecer!”.
Leia a Bíblia. Ela não é um livro histórico, não é um manual de uso do homem, como alguns dizem, não é um livro de lei moral. A Bíblia é a Palavra de Deus. Eu disse “É” e, não, ‘contém ‘.
Todos os mistérios de Deus estão revelados em Cristo Jesus e Cristo é o Verbo, Ele é a Palavra de Deus.

Denise Gaspar - 05-12-11

O Reino

“Venha o Teu Reino e seja feita a Tua vontade assim na Terra como é feita no céu”, essa é uma das frases que aprendemos na oração que Jesus ensinou aos Seus discípulos. E nós somos Seus discípulos, somos Seus aprendizes, então precisamos aprender o significado dessas palavras e não apenas repeti-las como se sua repetição em conjunto carregasse intrinsecamente algum poder. O seu poder está na consciência de sua significação e na sinceridade do clamor.
“Venha o Teu Reino” é um clamor para que o Reino e a Soberania de Deus se instale em nossa vida. Quando oro dessa forma estou abrindo mão do controle de minha vida. Estou pedindo para que Ele se assente no trono de meu coração e reine livremente. Tomo a iniciativa lançando mão de meu maior direito, meu livre arbítrio. E apenas essa iniciativa tem importância e valor diante de Deus. Essa frase da oração repetida à exaustão não tem nenhum valor se eu não estiver consciente de seu real significado e se eu não a estiver pronunciando com total convicção e liberdade.
Eu preciso conhecer o Rei para que possa me render e me sujeitar por vontade própria a Ele. Por isso Jesus, o Verbo que Se fez carne, o Deus que Se fez homem, veio habitar entre nós. Os mistérios de Deus estão revelados em Cristo. Se nós buscarmos conhecer sua face, abrirmos o coração para Ele, que é a própria Palavra revelada, então saberemos quem é Rei e a qual o Reinado estaremos nos sujeitando.
Toda a vida de Jesus, Seus ensinamentos, Sua prática de vida são a manifestação do Amor. Não do substantivo abstrato ‘amor’ que anda muito badalado por aí justificando as coisas mais absurdas. “Toda forma de amor vale a pena se a alma não for pequena”. Só se a alma for realmente pequena é que se pode pensar que toda ‘forma de amor’ vale a pena. Como se existissem várias formas de amar. Amar é promover vida. Em nome dessas várias formas de amor, no entanto, pessoas subjugam outras, pessoas se envaidecem e narcisizam, pessoas idolatram, pessoas abandonam, matam...
O Reino de Deus, que Jesus veio anunciar e ao qual nos abriu livre acesso, é o Amor descrito por Paulo.
“Eu passo a mostrar-vos o caminho sobremodo excelente. Porque ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que soa ou como o címbalo que retine. Porque ainda que eu tenha o dom de profetizar e conheça todos os mistérios e toda a ciência; ainda que eu tenha tamanha fé, a ponto de transportar montes, se não tiver amor, nada serei. Porque ainda que eu distribua todos os meus bens entre os pobres e ainda que eu entregue o meu próprio corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me aproveitará”...
Todos os atos descritos por Paulo podem ser entendidos como gestos de amor em si mesmos. Olhamos os atos e os julgamos como sendo amor, contudo eles podem ser feitos por vários motivos. E o que Paulo está dizendo é que só Deus conhece quais são nossas motivações. Se a motivação não for amor, de nada valerá.
“O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensorberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais acaba”...
Só o Reinado de Deus estabelece esse Amor em nossa vida.
Essa descrição feita por Paulo é lida, em geral, como poesia distante e utópica. Como sendo a personalidade de Deus, mas retórica para nós e em nós. Contudo, repare que Paulo começa a discrição afirmando: “passo a mostrar-vos o caminho sobremodo excelente”. Paulo faz essa colocação na primeira carta aos coríntios bem no meio de sua explicação sobre os dons de Deus dados à igreja. Ele fala sobre os dons espirituais, diz que não devemos ser ignorantes quanto a eles, os enumera e descreve e, de repente, pára tudo e afirma categoricamente, nenhum desses dons terá algum valor se não houver amor. E termina dizendo: “Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; porém o maior destes é o amor”. Depois dessa parada significativa e brusca retoma o ensino sobre os dons. Tendo deixado bem claro que qualquer um deles praticado sem amor não tem nenhum valor.
Se a descrição do Amor feita no cap 13 é a personalidade de Deus e se esse é o Seu caminho sobremodo excelente para nós, então Ele nos capacitará pela Sua Presença e por Seu Reinado em nós a sermos como Ele e andarmos pelo Seu caminho.

Então, quando oramos “venha o Teu Reino” estamos clamando por Amor em nossas vidas. Amor que se manifesta concretamente em perdoar como fomos perdoados, ou seja, imerecida e ilimitadamente. Manifesta-se em abençoar os que nos amaldiçoam, em orar pelos que nos perseguem. Concretiza-se na limpeza de meu coração de onde é arrancada toda raiz de amargura, toda tentativa de auto-justificação, toda a necessidade de ser mais e maior.

Quando nos rendemos ao Reinado de Cristo nos tornamos Seus discípulos para receber e aprender d’Ele novas todas as coisas. Ele mesmo disse que quem tem sede vá a Ele e beba e para aprender d’Ele que é manso e humilde. Nessa caminhada com Jesus em tudo e em todas as situações Ele opera para o nosso bem, para a edificação do Seu Reino-Amor em nós.
Quando oramos “seja feita a Tua vontade assim na Terra como no céu” estamos clamando por capacitação para vivermos em Amor e assim, em nossa prática diária, ser luz e sal terra.
A vontade de Deus para nós é que a cada dia sejamos transformados na face de Cristo. A vontade do Rei, ao qual estamos nos sujeitando, é que Cristo seja conhecido e reconhecido por Sua própria Presença em nós. Presença que vai transformando, pela Graça, nosso caráter, mudando nossa essência, substituindo nossos valores pelo Valor Real, o Amor.
Em nosso dia a dia, onde quer que estejamos, qualquer que seja a circunstância que estivermos vivendo estejamos sob a Autoridade Real do Pai, e, assim, possamos exalar o bom perfume de Cristo, o Amor.
O Reino de Deus é amor que Se manifesta em Alegria, Paz e Justiça, que Se manifestam em Misericórdia, Graça, Perdão, Reconciliação e Acolhimento que são a manifestação do Poder de Deus; o Todo-Poderoso.
Amor é Poder!!!
O Reino de Deus é Amor, é Poder da Graça para salvação de todo aquele que n’Ele crê com a fé que se rende ao Seu Senhorio.
Todo significado que possa se atribuir ao Reinado de Cristo que não seja Amor é estelionato, falsificação, heresia. Por isso, conheçamos e prossigamos em conhecê-Lo, permaneçamos voluntariamente n’Ele e sob Seu  Senhorio.


Denise Gaspar - 11-10-10

O mau de dentro e o diabo de fora

O pecado nasce das cobiças do coração, por isso Jesus disse que o que sai do homem é o eu contamina. Não há diabo que possa tocar ou entrar numa pessoa se essa, pela comunhão e na dependência total de Deus, não der lugar aos maus desígnios do coração.
O que alimenta o diabo é o que está dentro do homem. E o homem não tem condições de se livrar ou domesticar o mau que está dentro dele. Mas, se, ao contrário, alimentar sua mente e seu espírito com o que é bom, puro e verdadeiro: a Palavra de Deus e der liberdade ao Espírito de Deus para agir em sua vida do seu interior fluirão rios de águas vivas.

“Então, Jesus lhes disse: assim vós também não entendeis? Não compreendeis que tudo o que de fora entra no homem não o pode contaminar, porque não lhe entra no coração, mas no ventre, e sai para lugar escuso? E, assim, considerou puro todos os alimentos.
E dizia: O que sai do homem, isso é o que o contamina. Porque de dentro, do coração dos homens, é que procedem os maus desígnios, a prostituição, os furtos, os homicídios, os adultérios, a avareza, as malícias, o dolo, a lascívia, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura. Ora, todos estes males vêm de dentro e contaminam o homem”, Mc7: 18 a 23.


Denise Gaspar – 25-01-2010

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Vasos inegavelmente de barrro

Os tempos são difíceis, e vemos, ouvimos muitas mensagens que se pretendem bíblicas e, no entanto, sem nenhuma base na Palavra de Deus. Eu, particularmente, não conheço muitos ‘pregadores’ e pastores. Mas o que tenho visto são pessoas usarem pequenas passagens e até mesmo um único versículo no qual baseiam suas pregações que são marteladas nos ouvidos e nos corações dos incautos. São agressões violetas que entristecem o Espírito Santo e enganam os que desconhecem a Palavra.
Não é desses que quero falar porque só o não estarem firmados na Palavra, qualquer que sejam suas atitudes e assepsias morais e sociais, já estão fora do Reino e Jesus lhes dirá que não os conhece e serão lançados fora.
Quero dividir com você uma pequena reflexão sobre os que entregam mensagens firmadas na Palavra de Deus, mensagens que nascem do coração de Deus para alimentar e fortalecer aos Seus amados.
Sem mencionar nomes vou pensar baseada em casos que conheço. São poucos, é verdade. Na minha caminhada com Jesus não visitei muitos lugares e não conheci muitas pessoas investidas do propósito de partilhar a Palavra de Deus que queima e arde em seus corações.
O primeiro, quando conheci me chamou a atenção porque partilhava a Palavra de tal forma que o Espírito se alegrava e meu coração regozijava como nunca antes nos primeiros anos de caminhada. Com o tempo, não sei o que aconteceu, suas mensagens tornaram-se diferentes e passaram a ser repetições de causos e mais causos que ele viveu ao lado de Deus.
Um outro, que nem lembro o nome, poucas vezes estivemos juntos, mas a mensagem estava firmada na Palavra. Pessoas que considero, com respeito a busca de Deus, contaram-me do seu compromisso com a Palavra. No entanto, outras pessoas contaram situações de sua vida que o desabonavam. Percebi que era um amado de Deus em restauração.
Noutro, nas mensagens firmadas na Palavra, percebemos feridas em seu coração e, para alguns, justificações. Alguém que tendo o chamado de Deus para partilhar a Sua Palavra, sofreu com seus erros e com os naturais julgamentos e ataques, e agora está em restauração.
Um homem que partilha a Palavra através de mensagens profundas sobre a ação do Amor de Deus em nossos corações, por algum motivo que ninguém sabe, isolou-se de tal forma, fechando-se num casulo hermético. Percebo a mão de Deus tratando e restaurando sua vida.
Uma outra pessoa com a unção e o chamado de partilhar o Amor da Palavra não se sente momentaneamente preparada para assumir uma posição de frente devido as dores e ataques da caminhada. Um momentaneamente que já dura alguns anos. Alguém que está em tratamento no balsamo amoroso de Deus.
Algumas reflexões me vêm dessa percepção.
Todos são homens e mulheres chamados por Deus para partilharem a Verdade do Amor de Deus: a Palavra. Todos em tratamento e em processo de restauração nas mãos maravilhosas e fiéis de Jesus.
Já ouvi que essas pessoas doídas e em tratamento divino não deveriam estar a frente de nenhum trabalho. “Um soldado ferido não vai à guerra”. Fico pensando: enquanto os feridos por causa do amor a Cristo ficarem parados em restauração, outros que, se quer têm o chamado, estão por aí disseminando uma pregação bate-estaca com o nome do que É, mas não é.
Penso que houve um tempo em que se podia parar. Ou, pelo menos, um tempo em que se podia fazer longas paradas.
Quando o profeta Elias chamou Eliseu esse pediu para ir despedir-se de seus pais e o profeta ficou esperando que o fizesse. Um dos discípulos, quando chamado por Jesus, pediu para ir antes sepultar a seu pai, e Jesus disse que deixasse os mortos sepultarem seus mortos. Não havia tempo. Não há mais tempo.
Deus tem Poder, Todo Poder, para operar o tratamento necessário em nossos corações, enquanto caminhamos. Enquanto andamos no Caminho para o qual fomos resgatados.
 Somos vasos de barro. Inegavelmente de barro. Não temos em nós mesmos nenhum valor nem nenhuma capacidade para participarmos da Obra de Deus. Não temos nenhum mérito, mas pela Graça de Deus Ele decidiu manifestar Seu Amor através de nós. Deus tem prazer em contar conosco e em nos capacitar cada dia.
O Tesouro é valioso e sem igual. O Tesouro é o Poder da Ação do Amor de Deus em nossos corações através da Palavra genuína que é Jesus.
O Tesouro habita em vasos de barro que se reconhecem vasos de barro, pó da terra, para que a honra seja de Deus. A obra é de Deus, a glória é de Deus.
Os vasos são de barro, inegavelmente de barro.
Cada um sabe de si e dará conta de si diante de Deus, por isso não nos julguemos. Aqueles que param esperando a restauração, parem em Deus, pelo tempo de Deus. Lembro que quando papai faleceu fiquei cinco dias praticamente de cama. Doía o coração, doía o corpo, faltava força pra me levantar. Só chorava. Mas no quinto dia, ouvi o Senhor falar que ali acabava o tempo de luto que o que dali passasse não era d’Ele.
Há tempo pra todas as coisas de baixo dos céus. Há o tempo de Deus pra todas as coisas.
Aqueles que continuam caminhando enquanto são restaurados, que continuem compromissados com Deus. Que não esqueçam que estão em tratamento. Que suas forças pra continuar a caminhada, apesar das feridas e dores, não provêm deles mesmo, mas do Senhor que os capacita e sustenta.
Todos dependemos de Deus, somos supridos n’Ele. Deus permita que nossa memória não falhe.
Aquele que pára, pare no Senhor e com o Senhor. Aquele que continua, continue, no Senhor e com o Senhor.
Eu tenho sido profundamente abençoada, em momentos delicados da vida, por aquele que não parou, mas ferido e em restauração continua caminhando; e, da mesma maneira tenho sido profundamente abençoada, por aquele que cansado e sem pique parou. A unção de Deus é irrevogável, quer parado quer andando, se seu coração está no Senhor, Deus o usa para abençoar..
Nesses tempos, muito provavelmente, mais que em qualquer outro tempo, a Palavra tem de ser compartilhada. Sejam em púlpitos, sejam em ‘trabalhos’ ou não, mas partilhadas em amor no dia a dia. Nos dias de dor em que as feridas doem e de tanta dor parecem não ter cura. Nos dias em que fortalecidos parece que nenhum mal sobrevirá.
Os tempos são de Deus, os chamados são de Deus, o restaurar é de Deus. Nosso é o confiar e permanecer n’Ele. 

O sagrado a gente faz, o santo É.


10-04-09