terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Servo inútil

“Acautelai-vos. Se teu irmão pecar contra ti, repreende-o; se ele se arrepender, perdoa-lhe.
Se por sete vezes no dia, pecar contra ti e, sete vezes no dia, vier ter contigo, dizendo: Estou arrependido, perdoa-lhe.
Então, disseram os apóstolos ao Senhor: Aumenta-nos a fé.
Respondeu-lhes o Senhor: Se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a esta amoreira: Arranca-te e transplanta-te no mar; e ela vos obedecerá.
Qual dentre vós, tendo um servo ocupado na lavoura ou em guardar o gado, lhe dirá quando ele voltar do campo: Vem já e põe-te à mesa?
E que, antes, não lhe diga: Prepara-me a ceia, cinge-te e serve-me, enquanto eu como e bebo; depois, comerás tu e beberás?
Porventura, terá de agradecer ao servo porque este fez o que lhe havia ordenado?
Assim também vós, depois de haverdes feito quanto vos foi ordenado, dizei: “Somos servos inúteis, porque fizemos apenas o que devíamos fazer”.” Lc 17: 3 a 10.


A Bíblia explica que Jesus falava por parábolas conforme o entendimento dos ouvintes para que o pudessem compreender. Partia sempre de uma realidade comum, de fácil entendimento, como semeadura e pastoreio, para a revelação do coração de Deus.
Tanto em Mateus quanto em Luca essa passagem que fala do servo inútil está ligada aos escândalos que fazem tropeçar os pequeninos. Diz que teria sido melhor aos que causam escândalo nem ter nascido. Mas também fala aos que foram ‘escandalizados’: “Perdoem!”
Jesus começa falando da lei: “Perdoe, se o seu irmão se arrepender”. Depois supera a lei: “Perdoe, ainda que por sete vezes ele pecar contra ti, num único dia, e se arrepender”. A ordem é: “Perdoe!”.
 Jesus é extremamente didático, vai passo a passo pra que possamos acompanhá-Lo.
Depois Jesus extrapola a superação da lei, e diz: “Perdoe, mesmo que ele não se arrependa”.
Quando Jesus nos chama de servos inúteis está Se referindo ao cumprimento da lei. Se perdoamos quando nosso irmão se arrepende, cumprimos a lei. Se perdoamos quando o irmão reincide no erro, mas ainda assim se arrepende, cumprimos a superação da lei. Ainda é a lei.
É interessante ressaltar que Ele nos diz para ir repreender o irmão. Pela lei temos o direito de sentarmos com ele e conversarmos sobre o que nos fez. É claro que diz para irmos com a intenção de conserto e não pra brigar e piorar as coisas.
Quando perdoamos independente de argüi-lo e dele se arrepender, então vivemos a extrapolação da lei. Vivemos a Graça! Vivemos a Presença do Espírito de Deus e do nosso interior fluem rios de água viva!
A extrapolação da Lei é a Graça. A Graça que nos perdoou antes mesmo de nos arrependermos. A Graça que fez Jesus abrir o Caminho de acesso ao Pai quando ainda vivíamos em iniqüidade e nos orgulhávamos dela. Ele fez isso antes mesmo que nascêssemos. Antes que houvesse mundo, houve Cruz. A Graça de Jesus que estabeleceu o Ministério da Reconciliação.
Cumprir a lei e perdoar é difícil. A superação da lei é assustadora. Parece de mais perdoar sete vezes num mesmo dia a mesma pessoa caso ela se arrepender. E, de fato, é. A extrapolação da lei, perdoar de qualquer jeito, no entanto, é impossível. Por isso, os discípulos pedem mais fé. Muito mais fé. 
Ao que o Senhor responde tranquilamente que se tivermos uma fé pequenina n’Ele e em Suas Palavras somos capacitados a nos livrar dessa árvore de amargura e rancor que se forma no coração para arranca-la do peito e lança-la fora. Basta um pouquinho de fé, como um grão de mostarda, que é menor que a cabeça de um alfinete, para arrancar a árvore do ressentimento. Só vivemos a Graça pela Presença de Jesus em nós.
Na carta aos hebreus é dito para que não haja em nós nenhuma raiz de amargura que brotando perturba a vida da pessoa e contamina a muitos. (Hb12:15).
Eu digo, por experiência própria, que a amargura e o ressentimento além de perturbar e ferir todos os dias como se o fato estivesse acontecendo naquele momento, e isso por si só já é terrível, eles imobilizam. Tiram o gosto pelas coisas, nos travam os sentimentos e mesmo as iniciativas, levantam um escudo que nos impedem a aproximação verdadeira com as pessoas. É uma raiz que brotando e sendo alimentada pode tomar todo o coração. Infelizmente é fácil encontrar pessoas amarguradas, rancorosas por aí, são pessoas destrutivas. Que de tão machucadas que foram não têm uma palavra de amor nem de incentivo. Não te uma expressão de alegria real e têm o seu prazer em apontar os erros e as fraquezas alheios.
Mas Jesus está nos dizendo para que não esperemos que a pessoa que nos magoou se arrependa e venha falar conosco. Ela pode nunca se arrepender, ou tendo se arrependido, pode não ter a oportunidade de vir se reconciliar. Muitas vezes a falta de oportunidade pode ser criada pela barreira construída em torno do coração do ofendido.
Jesus fala para que arranquemos essa raiz por amor ao outro. O que Jesus fez por nós nos perdoando e abrindo o Caminho da Reconciliação nós também podemos fazer. Entendendo, antes de tudo, que o que aconteceu foi algo para separar a pessoas que na
Jesus fala para perdoarmos porque fazendo isso nosso coração fica livre do peso da amargura, livre para amar as pessoas e abençoá-las, fica livre amar quem nos ofendeu. Ficamos livres para a reconciliação. Sem essa de: “eu perdôo, mas não quero contato com ele(a)”.
Uma vez tendo perdoado pelo cumprimento da lei ou da superação da lei não espere recompensa. Fez o que lhe foi mandado fazer. É sevo inútil.
Para o que perdoou pela extrapolação da lei que vive em você, a Graça de Deus, a recomendação é simples, “siga a vida, continue no Caminho”.

Um detalhe: Jesus está falando a servos. Nós não somos servos, somos filhos, somos chamados por Ele de amigos, porque aos amigos é revelado o Caminho e a Vontade do Pai. Os servos estão sobre a lei, os filhos e amigos, sobre o amor.

Denise Gaspar - 13-02-09




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