Nisto são manifestos os filhos de Deus e os filhos do diabo:
todo aquele que não pratica a justiça não procede de Deus, nem aquele que não
ama a seu irmão”. 1Jo3:10
Praticar a justiça não significa ser justo como normalmente
se entende. Levar tudo ‘à ponta de faca’, como diz minha mãe, e ser zeloso da
lei julgando, todo o tempo, dizendo o que é certo e o errado; não é praticar a
justiça.
Ser zeloso da lei, dessa forma, leva à contínua condenação
porque ninguém é cumpridor da lei. Você já reparou que pessoas assim só
conseguem perceber o lado ruim das coisas; têm sempre uma ponderação e/ou uma
crítica a fazer; dificilmente fazem um elogio e quando o fazem tem sempre uma
vírgula e um “mas” sem seguida? Essa é a justiça humana.
Quando diz “praticar a justiça” está se referindo à Justiça
de Deus.
Justiça em que a misericórdia triunfa sobre o juízo. Justiça
nutrida pelo amor que faz ao outro o bem que deseja que lhe seja feito todas as
vezes em que erra, (ainda que o outro seja o inimigo ou o perseguidor). Justiça
que ama ao próximo como a si mesmo. Justiça que mede com a medida com que
deseja ser medido. Justiça que compreende: “Bem-aventurado os misericordiosos
porque alcançarão misericórdia”.
Praticar a Justiça de Deus é amar o outro.
Quando diz que devemos “amar ao irmão” levanta um
questionamento: como não amar ao irmão? Professamos a mesma fé, temos o mesmo
Pai, somos guiados pelo mesmo Espírito, então, como odiá-lo? A dificuldade
reside aí. Infelizmente porque muitos, embora digam confessar a mesma fé, não
estão buscando verdadeiramente ao Pai, mas aos Seus favores. Então, não têm
comunhão com Seu Espírito que possibilita esse entendimento. Aquele que tem o
amor do Pai residindo e reinando em seu coração vê o outro, quem quer que seja,
como seu irmão. Alvo de suas orações, objeto do Amor do Pai, razão do
Sacrifício de Jesus, motivação para a ação do Espírito de Deus, tanto qualquer
um de nós. Portanto, seja o próximo o inimigo, o perseguidor, o opressor, o
injuriador, o adversário, ele é objeto de amor. E amá-lo é manifestar a justiça
de Deus e amontoar brasas vivas sobre sua cabeça. Brasas que aquecerão sua
consciência e permitirão que ele contemple a misericórdia de Deus. E enquanto
vivemos um dia após o outro no quebrantamento e na decisão de amar o irmão
somos tratados por Deus para sermos aperfeiçoados no amor.
“Aquele que guarda a Sua Palavra, nele, verdadeiramente, tem
sido aperfeiçoado o amor de Deus”, 1Jo2:5.
“Porque a mensagem que ouviste desde o princípio é esta que
nos amemos uns aos outros... Sabemos que já passamos da morte para a vida
porque amamos aos irmãos; aquele que não ama permanece na morte”, 1Jo3: 11 e
14.
Se Deus manda que amemos e diz que ao amarmos somos
aperfeiçoados no amor e que isso mostra que já temos a vida Eterna, então, não
estamos falando do amor que o mundo conhece. Se o Amor de Deus fosse esse do
mundo cheio de vontades e necessárias reciprocidades, esse que diz que todas as
suas formas de manifestação valem a pena, não seria necessário o mandamento. Se
o Amor de Deus fosse inerente a natureza
humana, não teria sido necessário Jesus Se esvaziar de Sua divindade, Se fazer
homem, viver como homem, morrer na Cruz sem ter cometido nenhuma transgressão da
Lei, mas carregando todo o nosso pecado e nem depois ressuscitar para nos
garantir acesso à Vida Eterna, se o amor humano fosse suficiente o Espírito
Santo não precisaria nos capacitar em santificação, entendimento e direção para
que amássemos.
O amor humano expressa várias formas de satisfação,
dependência, reciprocidade. O Amor de Deus, ao qual nos convida a vier e
saborear em alegria e gratidão, é uma decisão unilateral que cobre multidão de
pecados e permite e gera a transformação do outro enquanto nós mesmos vamos
sendo transformados.
Concordo com você. Duro esse discurso. Irrealizável essa
doutrina. O que nos leva ao mandamento de Deus, ao Sacrifício de Jesus, a
capacitação do Espírito Santo, à nossa nova vida em Cristo, à nossa total
dependência de Deus.
Uma vez aberto o coração para o agir de Deus e caminhando na
perspectiva de vivermos um dia de cada vez contemplando Sua face, aprendendo
d’Ele e sendo transformados, nos vem a certeza
de que vamos crescendo de decisão em decisão de obedecer, de fé em fé,
de glória em glória, de vitória em vitória como a luz do dia que vai brilhando
mais e mais até chegar a ser dia perfeito.
Denise Gaspar - 29-10-2011

















