“Venha o Teu Reino e seja feita a
Tua vontade assim na Terra como é feita no céu”, essa é uma das frases que
aprendemos na oração que Jesus ensinou aos Seus discípulos. E nós somos Seus
discípulos, somos Seus aprendizes, então precisamos aprender o significado
dessas palavras e não apenas repeti-las como se sua repetição em conjunto
carregasse intrinsecamente algum poder. O seu poder está na consciência de sua
significação e na sinceridade do clamor.
“Venha o Teu Reino” é um clamor
para que o Reino e a Soberania de Deus se instale em nossa vida. Quando oro
dessa forma estou abrindo mão do controle de minha vida. Estou pedindo para que
Ele se assente no trono de meu coração e reine livremente. Tomo a iniciativa
lançando mão de meu maior direito, meu livre arbítrio. E apenas essa iniciativa
tem importância e valor diante de Deus. Essa frase da oração repetida à
exaustão não tem nenhum valor se eu não estiver consciente de seu real
significado e se eu não a estiver pronunciando com total convicção e liberdade.
Eu preciso conhecer o Rei para
que possa me render e me sujeitar por vontade própria a Ele. Por isso Jesus, o
Verbo que Se fez carne, o Deus que Se fez homem, veio habitar entre nós. Os
mistérios de Deus estão revelados em Cristo. Se nós buscarmos conhecer sua
face, abrirmos o coração para Ele, que é a própria Palavra revelada, então
saberemos quem é Rei e a qual o Reinado estaremos nos sujeitando.
Toda a vida de Jesus, Seus
ensinamentos, Sua prática de vida são a manifestação do Amor. Não do
substantivo abstrato ‘amor’ que anda muito badalado por aí justificando as
coisas mais absurdas. “Toda forma de amor vale a pena se a alma não for
pequena”. Só se a alma for realmente pequena é que se pode pensar que toda ‘forma
de amor’ vale a pena. Como se existissem várias formas de amar. Amar é promover
vida. Em nome dessas várias formas de amor, no entanto, pessoas subjugam
outras, pessoas se envaidecem e narcisizam, pessoas idolatram, pessoas
abandonam, matam...
O Reino
de Deus, que Jesus veio anunciar e ao qual nos abriu livre acesso, é o Amor
descrito por Paulo.
“Eu passo a mostrar-vos o caminho sobremodo excelente. Porque ainda que
eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o
bronze que soa ou como o címbalo que retine. Porque ainda que eu tenha o dom de
profetizar e conheça todos os mistérios e toda a ciência; ainda que eu tenha
tamanha fé, a ponto de transportar montes, se não tiver amor, nada serei.
Porque ainda que eu distribua todos os meus bens entre os pobres e ainda que eu
entregue o meu próprio corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso
me aproveitará”...
Todos os atos descritos por Paulo
podem ser entendidos como gestos de amor em si mesmos. Olhamos os atos e os
julgamos como sendo amor, contudo eles podem ser feitos por vários motivos. E o
que Paulo está dizendo é que só Deus conhece quais são nossas motivações. Se a
motivação não for amor, de nada valerá.
“O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana,
não se ensorberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura os seus
interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a
injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera,
tudo suporta. O amor jamais acaba”...
Só o Reinado de Deus estabelece
esse Amor em nossa vida.
Essa
descrição feita por Paulo é lida, em geral, como poesia distante e utópica.
Como sendo a personalidade de Deus, mas retórica para nós e em nós. Contudo,
repare que Paulo começa a discrição afirmando: “passo a mostrar-vos o caminho
sobremodo excelente”. Paulo faz essa colocação na primeira carta aos coríntios
bem no meio de sua explicação sobre os dons de Deus dados à igreja. Ele fala
sobre os dons espirituais, diz que não devemos ser ignorantes quanto a eles, os
enumera e descreve e, de repente, pára tudo e afirma categoricamente, nenhum
desses dons terá algum valor se não houver amor. E termina dizendo: “Agora,
pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; porém o maior destes é
o amor”. Depois dessa parada significativa e brusca retoma o ensino sobre os
dons. Tendo deixado bem claro que qualquer um deles praticado sem amor não tem
nenhum valor.
Se a
descrição do Amor feita no cap 13 é a personalidade de Deus e se esse é o Seu
caminho sobremodo excelente para nós, então Ele nos capacitará pela Sua
Presença e por Seu Reinado em nós a sermos como Ele e andarmos pelo Seu
caminho.
Então, quando oramos “venha o Teu
Reino” estamos clamando por Amor em nossas vidas. Amor que se manifesta
concretamente em perdoar como fomos perdoados, ou seja, imerecida e
ilimitadamente. Manifesta-se em abençoar os que nos amaldiçoam, em orar pelos
que nos perseguem. Concretiza-se na limpeza de meu coração de onde é arrancada
toda raiz de amargura, toda tentativa de auto-justificação, toda a necessidade
de ser mais e maior.
Quando nos rendemos ao Reinado de
Cristo nos tornamos Seus discípulos para receber e aprender d’Ele novas todas
as coisas. Ele mesmo disse que quem tem sede vá a Ele e beba e para aprender
d’Ele que é manso e humilde. Nessa caminhada com Jesus em tudo e em todas as
situações Ele opera para o nosso bem, para a edificação do Seu Reino-Amor em
nós.
Quando oramos “seja feita a Tua
vontade assim na Terra como no céu” estamos clamando por capacitação para
vivermos em Amor e assim, em nossa prática diária, ser luz e sal terra.
A vontade de Deus para nós é que
a cada dia sejamos transformados na face de Cristo. A vontade do Rei, ao qual
estamos nos sujeitando, é que Cristo seja conhecido e reconhecido por Sua
própria Presença em nós. Presença que vai transformando, pela Graça, nosso
caráter, mudando nossa essência, substituindo nossos valores pelo Valor Real, o
Amor.
Em nosso dia a dia, onde quer que
estejamos, qualquer que seja a circunstância que estivermos vivendo estejamos
sob a Autoridade Real do Pai, e, assim, possamos exalar o bom perfume de
Cristo, o Amor.
O Reino de Deus é amor que Se
manifesta em Alegria, Paz e Justiça, que Se manifestam em Misericórdia, Graça,
Perdão, Reconciliação e Acolhimento que são a manifestação do Poder de Deus; o
Todo-Poderoso.
Amor é Poder!!!
O Reino de Deus é Amor, é Poder
da Graça para salvação de todo aquele que n’Ele crê com a fé que se rende ao
Seu Senhorio.
Todo significado que possa se
atribuir ao Reinado de Cristo que não seja Amor é estelionato, falsificação,
heresia. Por isso, conheçamos e prossigamos em conhecê-Lo, permaneçamos
voluntariamente n’Ele e sob Seu
Senhorio.
Denise Gaspar - 11-10-10
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