quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

O Reino

“Venha o Teu Reino e seja feita a Tua vontade assim na Terra como é feita no céu”, essa é uma das frases que aprendemos na oração que Jesus ensinou aos Seus discípulos. E nós somos Seus discípulos, somos Seus aprendizes, então precisamos aprender o significado dessas palavras e não apenas repeti-las como se sua repetição em conjunto carregasse intrinsecamente algum poder. O seu poder está na consciência de sua significação e na sinceridade do clamor.
“Venha o Teu Reino” é um clamor para que o Reino e a Soberania de Deus se instale em nossa vida. Quando oro dessa forma estou abrindo mão do controle de minha vida. Estou pedindo para que Ele se assente no trono de meu coração e reine livremente. Tomo a iniciativa lançando mão de meu maior direito, meu livre arbítrio. E apenas essa iniciativa tem importância e valor diante de Deus. Essa frase da oração repetida à exaustão não tem nenhum valor se eu não estiver consciente de seu real significado e se eu não a estiver pronunciando com total convicção e liberdade.
Eu preciso conhecer o Rei para que possa me render e me sujeitar por vontade própria a Ele. Por isso Jesus, o Verbo que Se fez carne, o Deus que Se fez homem, veio habitar entre nós. Os mistérios de Deus estão revelados em Cristo. Se nós buscarmos conhecer sua face, abrirmos o coração para Ele, que é a própria Palavra revelada, então saberemos quem é Rei e a qual o Reinado estaremos nos sujeitando.
Toda a vida de Jesus, Seus ensinamentos, Sua prática de vida são a manifestação do Amor. Não do substantivo abstrato ‘amor’ que anda muito badalado por aí justificando as coisas mais absurdas. “Toda forma de amor vale a pena se a alma não for pequena”. Só se a alma for realmente pequena é que se pode pensar que toda ‘forma de amor’ vale a pena. Como se existissem várias formas de amar. Amar é promover vida. Em nome dessas várias formas de amor, no entanto, pessoas subjugam outras, pessoas se envaidecem e narcisizam, pessoas idolatram, pessoas abandonam, matam...
O Reino de Deus, que Jesus veio anunciar e ao qual nos abriu livre acesso, é o Amor descrito por Paulo.
“Eu passo a mostrar-vos o caminho sobremodo excelente. Porque ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que soa ou como o címbalo que retine. Porque ainda que eu tenha o dom de profetizar e conheça todos os mistérios e toda a ciência; ainda que eu tenha tamanha fé, a ponto de transportar montes, se não tiver amor, nada serei. Porque ainda que eu distribua todos os meus bens entre os pobres e ainda que eu entregue o meu próprio corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me aproveitará”...
Todos os atos descritos por Paulo podem ser entendidos como gestos de amor em si mesmos. Olhamos os atos e os julgamos como sendo amor, contudo eles podem ser feitos por vários motivos. E o que Paulo está dizendo é que só Deus conhece quais são nossas motivações. Se a motivação não for amor, de nada valerá.
“O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensorberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais acaba”...
Só o Reinado de Deus estabelece esse Amor em nossa vida.
Essa descrição feita por Paulo é lida, em geral, como poesia distante e utópica. Como sendo a personalidade de Deus, mas retórica para nós e em nós. Contudo, repare que Paulo começa a discrição afirmando: “passo a mostrar-vos o caminho sobremodo excelente”. Paulo faz essa colocação na primeira carta aos coríntios bem no meio de sua explicação sobre os dons de Deus dados à igreja. Ele fala sobre os dons espirituais, diz que não devemos ser ignorantes quanto a eles, os enumera e descreve e, de repente, pára tudo e afirma categoricamente, nenhum desses dons terá algum valor se não houver amor. E termina dizendo: “Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; porém o maior destes é o amor”. Depois dessa parada significativa e brusca retoma o ensino sobre os dons. Tendo deixado bem claro que qualquer um deles praticado sem amor não tem nenhum valor.
Se a descrição do Amor feita no cap 13 é a personalidade de Deus e se esse é o Seu caminho sobremodo excelente para nós, então Ele nos capacitará pela Sua Presença e por Seu Reinado em nós a sermos como Ele e andarmos pelo Seu caminho.

Então, quando oramos “venha o Teu Reino” estamos clamando por Amor em nossas vidas. Amor que se manifesta concretamente em perdoar como fomos perdoados, ou seja, imerecida e ilimitadamente. Manifesta-se em abençoar os que nos amaldiçoam, em orar pelos que nos perseguem. Concretiza-se na limpeza de meu coração de onde é arrancada toda raiz de amargura, toda tentativa de auto-justificação, toda a necessidade de ser mais e maior.

Quando nos rendemos ao Reinado de Cristo nos tornamos Seus discípulos para receber e aprender d’Ele novas todas as coisas. Ele mesmo disse que quem tem sede vá a Ele e beba e para aprender d’Ele que é manso e humilde. Nessa caminhada com Jesus em tudo e em todas as situações Ele opera para o nosso bem, para a edificação do Seu Reino-Amor em nós.
Quando oramos “seja feita a Tua vontade assim na Terra como no céu” estamos clamando por capacitação para vivermos em Amor e assim, em nossa prática diária, ser luz e sal terra.
A vontade de Deus para nós é que a cada dia sejamos transformados na face de Cristo. A vontade do Rei, ao qual estamos nos sujeitando, é que Cristo seja conhecido e reconhecido por Sua própria Presença em nós. Presença que vai transformando, pela Graça, nosso caráter, mudando nossa essência, substituindo nossos valores pelo Valor Real, o Amor.
Em nosso dia a dia, onde quer que estejamos, qualquer que seja a circunstância que estivermos vivendo estejamos sob a Autoridade Real do Pai, e, assim, possamos exalar o bom perfume de Cristo, o Amor.
O Reino de Deus é amor que Se manifesta em Alegria, Paz e Justiça, que Se manifestam em Misericórdia, Graça, Perdão, Reconciliação e Acolhimento que são a manifestação do Poder de Deus; o Todo-Poderoso.
Amor é Poder!!!
O Reino de Deus é Amor, é Poder da Graça para salvação de todo aquele que n’Ele crê com a fé que se rende ao Seu Senhorio.
Todo significado que possa se atribuir ao Reinado de Cristo que não seja Amor é estelionato, falsificação, heresia. Por isso, conheçamos e prossigamos em conhecê-Lo, permaneçamos voluntariamente n’Ele e sob Seu  Senhorio.


Denise Gaspar - 11-10-10

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