“Por isso, vos digo: não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que
haveis de comer ou beber; nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir.
Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo, mais do que as vestes?” (25).
Mt 6:24 a 34.
No sermão que
fez no Monte Jesus está dizendo para não nos preocuparmos com a satisfação de
nossas necessidades básicas: comer, beber e vestir. O que seria mais básico? E
diz que a vida não é só isso!
Tudo bem, ela
não é só isso, mas qualquer outra coisa para ser na vida precisa que estas
coisas estejam satisfeitas, ou não?
Não! Porque,
de fato, há algo mais básico (fundamental) para a vida do que comer, beber,
vestir. Mas antes, quero dizer que nós nunca estamos plenamente satisfeitos com
aquele basicão. Comemos mais de uma vez por dia, no mínimo três vezes, há quem
coma seis, há quem não pare de comer, “beliscar”, o dia todo e ainda assim, no
dia seguinte terá fome e sede outra vez e terá de correr atrás de meios para
satisfazê-las de novo. Temos mais roupas que o necessário e sempre estamos
querendo mais alguma porque enjoamos das que temos, ou porque alguém disse que
não está mais na moda, ou porque “o mundo trata melhor quem se veste bem”...
Jesus está
dizendo que há algo maior!
A satisfação dessas
necessidades básicas pode carregar em si um distanciamento de Deus. A
idolatria. Há pessoas que são escravas da comida, que fazem dela o seu deus. Há
os que fazem do seu estilo, preocupados com a aparência, o seu deus. Há os que
fazem do seu ritmo de vida, da sua busca incessante por ter, o seu deus.
As
necessidades físicas são satisfeitas temporariamente, mas se vivemos para elas
e por elas, a alma passa a reger-nos e a alma é insaciável, ela se nutre de sua
própria insaciabilidade. Está sempre querendo ter mais, ser aquilo que não é,
ou seja, em cuidar de sua aparência, em maquinar, em como ter e em como
aparentar. A alma se alimenta do ‘estar precisando’, do ‘procurar meios e
formas de conseguir mais’ e do ‘manipular para ser satisfeita’. É um ciclo
interminável, porque insaciável.
Jesus está
afirmando que há algo maior. Muito mais básico e essencial do que o comer,
beber, vestir e ter. Algo que satisfará seu espírito e sua alma de tal forma
que você poderá desfrutar do comer, beber e vestir; você se regalará com o
fruto de seu trabalho sem se corromper com isso.
Isso
normalmente é entendido no meio ‘evangélico brasileiro’ como um chamado à
vagabundagem, à vida contemplativa. Mas não é isso! O trabalho foi instituído
como um desfrute para o homem já no jardim do Édem. As pessoas que vivem a fé
na Palavra de Deus, sem distorcê-la, são pessoas que trabalham e têm prazer em trabalhar. São
pessoas que se dedicam ao que fazem, porém sem se tornaram escravas do
trabalho.
Jesus diz que
devemos buscar, antes de qualquer outra coisa, o Reino de Deus e a Sua Justiça,
e, que fazendo isso, todas as outras coisas das quais necessitamos nos serão
acrescentadas.
A comunhão com
o Pai é a essencialidade de que depende a vida. Não há vida afastado de Deus.
Jesus veio para que tenhamos vida e a tenhamos em abundância.
No v. 24 diz
que não há como servir a Deus e às riquezas. Ou sua vida está presa à
satisfação das suas necessidades físicas e seculares e desconectada do Pai. Ou
você está visceral e espiritualmente buscando conhecer e continuar conhecendo e
tendo intimidade com Deus e todas as demais necessidades serão saciadas.
Porque os que
não conhecem a Deus é que vivem em função da satisfação destas coisas; pois o
nosso Pai celeste, com quem desejamos ardentemente intimidade, sabe que
necessitamos de todas elas e nos capacitará e abrirá portas para que todas sejam
satisfeitas.
Em Cristo, de
quem dependo visceralmente,
Denise Gaspar
- (19-02-09)
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