quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Praticar a Justiça de Deus

Nisto são manifestos os filhos de Deus e os filhos do diabo: todo aquele que não pratica a justiça não procede de Deus, nem aquele que não ama a seu irmão”. 1Jo3:10

Praticar a justiça não significa ser justo como normalmente se entende. Levar tudo ‘à ponta de faca’, como diz minha mãe, e ser zeloso da lei julgando, todo o tempo, dizendo o que é certo e o errado; não é praticar a justiça.
Ser zeloso da lei, dessa forma, leva à contínua condenação porque ninguém é cumpridor da lei. Você já reparou que pessoas assim só conseguem perceber o lado ruim das coisas; têm sempre uma ponderação e/ou uma crítica a fazer; dificilmente fazem um elogio e quando o fazem tem sempre uma vírgula e um “mas” sem seguida? Essa é a justiça humana.
Quando diz “praticar a justiça” está se referindo à Justiça de Deus.
Justiça em que a misericórdia triunfa sobre o juízo. Justiça nutrida pelo amor que faz ao outro o bem que deseja que lhe seja feito todas as vezes em que erra, (ainda que o outro seja o inimigo ou o perseguidor). Justiça que ama ao próximo como a si mesmo. Justiça que mede com a medida com que deseja ser medido. Justiça que compreende: “Bem-aventurado os misericordiosos porque alcançarão misericórdia”.
Praticar a Justiça de Deus é amar o outro.
Quando diz que devemos “amar ao irmão” levanta um questionamento: como não amar ao irmão? Professamos a mesma fé, temos o mesmo Pai, somos guiados pelo mesmo Espírito, então, como odiá-lo? A dificuldade reside aí. Infelizmente porque muitos, embora digam confessar a mesma fé, não estão buscando verdadeiramente ao Pai, mas aos Seus favores. Então, não têm comunhão com Seu Espírito que possibilita esse entendimento. Aquele que tem o amor do Pai residindo e reinando em seu coração vê o outro, quem quer que seja, como seu irmão. Alvo de suas orações, objeto do Amor do Pai, razão do Sacrifício de Jesus, motivação para a ação do Espírito de Deus, tanto qualquer um de nós. Portanto, seja o próximo o inimigo, o perseguidor, o opressor, o injuriador, o adversário, ele é objeto de amor. E amá-lo é manifestar a justiça de Deus e amontoar brasas vivas sobre sua cabeça. Brasas que aquecerão sua consciência e permitirão que ele contemple a misericórdia de Deus. E enquanto vivemos um dia após o outro no quebrantamento e na decisão de amar o irmão somos tratados por Deus para sermos aperfeiçoados no amor.
“Aquele que guarda a Sua Palavra, nele, verdadeiramente, tem sido aperfeiçoado o amor de Deus”, 1Jo2:5.
“Porque a mensagem que ouviste desde o princípio é esta que nos amemos uns aos outros... Sabemos que já passamos da morte para a vida porque amamos aos irmãos; aquele que não ama permanece na morte”, 1Jo3: 11 e 14.
Se Deus manda que amemos e diz que ao amarmos somos aperfeiçoados no amor e que isso mostra que já temos a vida Eterna, então, não estamos falando do amor que o mundo conhece. Se o Amor de Deus fosse esse do mundo cheio de vontades e necessárias reciprocidades, esse que diz que todas as suas formas de manifestação valem a pena, não seria necessário o mandamento. Se o Amor de Deus fosse inerente  a natureza humana, não teria sido necessário Jesus Se esvaziar de Sua divindade, Se fazer homem, viver como homem, morrer na Cruz sem ter cometido nenhuma transgressão da Lei, mas carregando todo o nosso pecado e nem depois ressuscitar para nos garantir acesso à Vida Eterna, se o amor humano fosse suficiente o Espírito Santo não precisaria nos capacitar em santificação, entendimento e direção para que amássemos.
O amor humano expressa várias formas de satisfação, dependência, reciprocidade. O Amor de Deus, ao qual nos convida a vier e saborear em alegria e gratidão, é uma decisão unilateral que cobre multidão de pecados e permite e gera a transformação do outro enquanto nós mesmos vamos sendo transformados.
Concordo com você. Duro esse discurso. Irrealizável essa doutrina. O que nos leva ao mandamento de Deus, ao Sacrifício de Jesus, a capacitação do Espírito Santo, à nossa nova vida em Cristo, à nossa total dependência de Deus.
Uma vez aberto o coração para o agir de Deus e caminhando na perspectiva de vivermos um dia de cada vez contemplando Sua face, aprendendo d’Ele e sendo transformados, nos vem a certeza  de que vamos crescendo de decisão em decisão de obedecer, de fé em fé, de glória em glória, de vitória em vitória como a luz do dia que vai brilhando mais e mais até chegar a ser dia perfeito.

Denise Gaspar - 29-10-2011


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