segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Ele dormiu

“Naquele dia, sendo já tarde, disse-lhes Jesus: Passemos para a outra margem. E eles, despedindo a multidão, O levaram assim como estava no barco; e outros barcos o seguiam. Ora levantou-se grande temporal de vento, e as ondas se arremessavam contra o barco, de modo que o mesmo já estava a encher-se de água. E Jesus estava na popa, dormindo sobre o travesseiro; eles O despertaram e Lhe disseram: Mestre, não te importas que pereçamos? E, Ele, despertando, repreendeu o vento e disse ao mar: Acalma-te, emudece! O vento se aquietou, e fez-se grande bonança. Então lhes disse: Por que sois assim tímidos? Como é que não tendes fé? E eles, possuídos de grande temor, diziam uns aos outros: Quem é Este que até o vento e o mar Lhe obedecem?” Mt 8: 23 a 27.

“Aconteceu que, num daqueles dias, entrou Ele num barco em companhia dos Seus discípulos e disse-lhes: Passemos para a outra margem do lago; e partiram. Enquanto navegavam, Ele adormeceu. E sobreveio uma tempestade de vento no lago, correndo eles o perigo de soçobrar. Chegando-se a Ele, despertaram-No dizendo: Mestre, Mestre, estamos perecendo! Despertando-Se Jesus, repreendeu o vento e a fúria da água. Tudo cessou, e veio a bonança. Então, lhes disse: onde está a vossa fé? Eles, possuídos de temor e admiração, diziam uns aos outros: Quem é Este que até aos ventos e às ondas repreende, e Lhe obedecem?” Lc 8: 22 a 25.


Eles iam de uma margem a outra do lago e Jesus puxando o travesseiro dormiu. Jesus estava cansado, tranqüilo e seguro, puxou o travesseiro e foi tirar uma soneca. Nada pega Jesus desprevenido. Durante Sua vida, como homem neste mundo, Ele foi 100% homem e, mesmo em Seu ministério, Jesus não tinha nada diferente de nós enquanto pessoa física. Mas algo espetacular o diferencia dos homens: Sua comunhão com o Espírito Santo. Não é deste assunto que quero tratar, mas só pra esclarecer um pouco mais, se não fora assim Ele não teria dito que faríamos as mesmas obras e até maiores as que Ele realizou. Por quê? Deixaríamos ou deixaremos de ser humanos? Não! A diferença está na comunhão com o Pai e com o Espírito Santo. Tanto mais a tivermos, maiores obras faremos para a Sua Glória. Quanto mais O buscarmos, mais Seu Poder Se manifestará através de nós para o Louvor do Seu Nome.
Bem, voltando...
Nada pegava Jesus de surpresa o Espírito de Deus O conduzia e não O deixava enganar, assim como o faz com aqueles que O amam e O buscam. Mesmo sabendo da tempestade Jesus relaxou e dormiu. Mas posso até pensar, se isso agradar a alguns, que Ele de nada soubesse. Ainda assim aquele que anda na comunhão com o Pai nada teme. Leia o salmo 112.
“Aleluia! Bem-aventurado o homem que teme ao Senhor e se compraz nos Seus mandamentos... não será jamais abalado; será tido em memória eterna. Não se atemoriza de más notícias; o seu coração é firme, confiante no Senhor”, (sl112:1e 6,7).

Poderíamos pensar em algumas questões:
Acho que a primeira que surge é ‘como podia haver uma tempestade estando Jesus no barco?’. Pensaremos nesta questão mais a frente.
Vamos começar a pensar pela ‘timidez’ dos discípulos. O que importa é o que Jesus disse aos discípulos.
Eles, apavorados, acordam Jesus. Jesus repreende o mau tempo. A primeira atitude de Jesus foi resolver o problema. Depois Ele repreendeu os discípulos. Isso é importante porque não se repreende uma criança, um aprendiz enquanto ele vive momentos de angústia e medo. Primeiro Jesus livrou-os do mal, depois os repreendeu. Primeiro levantamos a criança e cuidamos dos ferimentos da queda, depois lembramos a ela que dissemos para não correr ladeira abaixo. Ela ainda tem dois anos, ainda não está capacitada, não tem as habilidades e a coordenação motora suficientes.

Vemos a repreensão em Mateus: “Por que sois tímidos, homens de pequena fé?”. Em Marcos: “Por que sois assim tímidos? Como é que não tendes fé?”. Em Lucas: “onde está a vossa fé?”.
Já ouvi algumas possíveis explicações sobre o que Jesus estava repreendendo neles. E acho que todas são possíveis. Penso que cada uma das explicações se enquadra a determinado momento de nossa vida. Mas antes de salientar uma em especial deixe-me enumera-las:
1 – Jesus os repreendeu porque eles não tiveram fé o suficiente para repreender o mal;
2 – Jesus os repreendeu porque demoraram a acordá-Lo;
3 – Jesus os repreendeu porque não descansaram.

A primeira explicação é a mais comum de ser ouvida, aliás, até bem pouco tempo, a única que eu ouvi. Os que explicam a repreensão por esse motivo, dizem que temos autoridade para repreende o mal e que os discípulos não usaram desta autoridade. Isso é verdade para os nossos dias, mas não para aquele momento no barco. Afinal, eles ainda não haviam nascido de novo nem tinham recebido o Revestimento do Espírito Santo.
A segunda explicação está fresquinha pra mim, ouvi antes de ontem.  Jesus estava no barco, não tinha porque eles se desesperarem. Era só cutuca-Lo: “Mestre, acorda!”. O irmão me dizia que Jesus os repreendeu porque eles demoraram muito enfrentando o mal sozinhos. Eles deveriam ter clamado logo no começo. Jesus estava com eles, não tinham porque tentar enfrentar aquela situação sozinhos, mesmo sendo homens experientes no mar, nem tinham porque se desesperar. Bastava chamar logo pelo Mestre. Essa segunda explicação me parece mais lógica. Afinal se tenho alguém perto de mim mais capacitado para enfrentar determinada situação porque vou insistir em resolvê-la sozinha e por meus escassos e errados meios?
Mas é sobre a terceira explicação que quero meditar.
Jesus estava no barco. Eles não tinham a menor dúvida da Presença de Jesus e, nem tão pouco, de Seu Poder. Eles já O vinham acompanhando e observando. Ouvi meu pastor algumas vezes dizendo que se Jesus estava dormindo eles deveriam puxar o travesseiro e dormir também. Isso é confiança. Isso é certeza de Seu Poder.  
Esse entendimento traz a resposta para a pergunta que ficou em aberto acima: “Como podia haver uma tempestade estando Jesus no barco?”. “Como pode haver uma tempestade quando estamos fazendo aquilo que o Senhor nos mandou fazer?” Foi Jesus que mandou que entrassem no barco e passassem para o outro lado.
A Presença de Jesus não nos garante ausência de problemas, tempestades e dores. A presença de Jesus nos garante que sairemos ilesos deles. Se confiamos n’Ele, se sabemos que estamos enfrentando uma circunstância difícil fazendo ou estando onde Ele nos quer, então só nos resta uma saída: descansar.
Se o Mestre dorme profundamente, não pensemos como os aprendizes que iam com Ele no barco: que Ele pouco Se incomoda que venhamos a perecer. Se o Mestre dorme, durmamos.
Bom é trazermos à lembrança o que nos dá esperança:
“Aquietai-vos e sabei que Eu Sou Deus,” (Sl 46:10).
 “Porque assim diz o Senhor Deus, o Santo de Israel: Em vos converterdes e em sossegardes, está a vossa salvação; na tranqüilidade e na confiança, a vossa força”, (Is 30:15).



Denise Gaspar 19-01-2007

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