“Naquele dia, sendo já tarde, disse-lhes
Jesus: Passemos para a outra margem. E eles, despedindo a multidão, O levaram
assim como estava no barco; e outros barcos o seguiam. Ora levantou-se grande
temporal de vento, e as ondas se arremessavam contra o barco, de modo que o
mesmo já estava a encher-se de água. E Jesus estava na popa, dormindo sobre o
travesseiro; eles O despertaram e Lhe disseram: Mestre, não te importas que
pereçamos? E, Ele, despertando, repreendeu o vento e disse ao mar: Acalma-te,
emudece! O vento se aquietou, e fez-se grande bonança. Então lhes disse: Por
que sois assim tímidos? Como é que não tendes fé? E eles, possuídos de grande
temor, diziam uns aos outros: Quem é Este que até o vento e o mar Lhe
obedecem?” Mt 8: 23 a
27.
“Aconteceu que, num daqueles dias, entrou
Ele num barco em companhia dos Seus discípulos e disse-lhes: Passemos para a
outra margem do lago; e partiram. Enquanto navegavam, Ele adormeceu. E
sobreveio uma tempestade de vento no lago, correndo eles o perigo de soçobrar.
Chegando-se a Ele, despertaram-No dizendo: Mestre, Mestre, estamos perecendo!
Despertando-Se Jesus, repreendeu o vento e a fúria da água. Tudo cessou, e veio
a bonança. Então, lhes disse: onde está a vossa fé? Eles, possuídos de temor e
admiração, diziam uns aos outros: Quem é Este que até aos ventos e às ondas
repreende, e Lhe obedecem?” Lc 8: 22
a 25.
Eles iam de
uma margem a outra do lago e Jesus puxando o travesseiro dormiu. Jesus estava
cansado, tranqüilo e seguro, puxou o travesseiro e foi tirar uma soneca. Nada
pega Jesus desprevenido. Durante Sua vida, como homem neste mundo, Ele foi 100%
homem e, mesmo em Seu ministério, Jesus não tinha nada diferente de nós
enquanto pessoa física. Mas algo espetacular o diferencia dos homens: Sua comunhão
com o Espírito Santo. Não é deste assunto que quero tratar, mas só pra
esclarecer um pouco mais, se não fora assim Ele não teria dito que faríamos as
mesmas obras e até maiores as que Ele realizou. Por quê? Deixaríamos ou
deixaremos de ser humanos? Não! A diferença está na comunhão com o Pai e com o
Espírito Santo. Tanto mais a tivermos, maiores obras faremos para a Sua Glória.
Quanto mais O buscarmos, mais Seu Poder Se manifestará através de nós para o
Louvor do Seu Nome.
Bem,
voltando...
Nada pegava
Jesus de surpresa o Espírito de Deus O conduzia e não O deixava enganar, assim
como o faz com aqueles que O amam e O buscam. Mesmo sabendo da tempestade Jesus
relaxou e dormiu. Mas posso até pensar, se isso agradar a alguns, que Ele de
nada soubesse. Ainda assim aquele que anda na comunhão com o Pai nada teme.
Leia o salmo 112.
“Aleluia! Bem-aventurado o homem que teme ao
Senhor e se compraz nos Seus mandamentos... não será jamais abalado; será tido
em memória eterna. Não se atemoriza de más notícias; o seu coração é firme,
confiante no Senhor”, (sl112:1e 6,7).
Poderíamos
pensar em algumas questões:
Acho que a
primeira que surge é ‘como podia haver uma tempestade estando Jesus no barco?’.
Pensaremos nesta questão mais a frente.
Vamos começar
a pensar pela ‘timidez’ dos discípulos. O que importa é o que Jesus disse aos discípulos.
Eles,
apavorados, acordam Jesus. Jesus repreende o mau tempo. A primeira atitude de
Jesus foi resolver o problema. Depois Ele repreendeu os discípulos. Isso é
importante porque não se repreende uma criança, um aprendiz enquanto ele vive
momentos de angústia e medo. Primeiro Jesus livrou-os do mal, depois os
repreendeu. Primeiro levantamos a criança e cuidamos dos ferimentos da queda,
depois lembramos a ela que dissemos para não correr ladeira abaixo. Ela ainda
tem dois anos, ainda não está capacitada, não tem as habilidades e a
coordenação motora suficientes.
Vemos a
repreensão em Mateus: “Por que sois tímidos, homens de pequena fé?”. Em Marcos:
“Por que sois assim tímidos? Como é que não tendes fé?”. Em Lucas: “onde está a
vossa fé?”.
Já ouvi
algumas possíveis explicações sobre o que Jesus estava repreendendo neles. E
acho que todas são possíveis. Penso que cada uma das explicações se enquadra a
determinado momento de nossa vida. Mas antes de salientar uma em especial
deixe-me enumera-las:
1 – Jesus os
repreendeu porque eles não tiveram fé o suficiente para repreender o mal;
2 – Jesus os
repreendeu porque demoraram a acordá-Lo;
3 – Jesus os
repreendeu porque não descansaram.
A primeira
explicação é a mais comum de ser ouvida, aliás, até bem pouco tempo, a única
que eu ouvi. Os que explicam a repreensão por esse motivo, dizem que temos
autoridade para repreende o mal e que os discípulos não usaram desta
autoridade. Isso é verdade para os nossos dias, mas não para aquele momento no
barco. Afinal, eles ainda não haviam nascido de novo nem tinham recebido o
Revestimento do Espírito Santo.
A segunda
explicação está fresquinha pra mim, ouvi antes de ontem. Jesus estava no barco, não tinha porque eles
se desesperarem. Era só cutuca-Lo: “Mestre, acorda!”. O irmão me dizia que
Jesus os repreendeu porque eles demoraram muito enfrentando o mal sozinhos.
Eles deveriam ter clamado logo no começo. Jesus estava com eles, não tinham
porque tentar enfrentar aquela situação sozinhos, mesmo sendo homens
experientes no mar, nem tinham porque se desesperar. Bastava chamar logo pelo
Mestre. Essa segunda explicação me parece mais lógica. Afinal se tenho alguém
perto de mim mais capacitado para enfrentar determinada situação porque vou
insistir em resolvê-la sozinha e por meus escassos e errados meios?
Mas é sobre a
terceira explicação que quero meditar.
Jesus estava
no barco. Eles não tinham a menor dúvida da Presença de Jesus e, nem tão pouco,
de Seu Poder. Eles já O vinham acompanhando e observando. Ouvi meu pastor
algumas vezes dizendo que se Jesus estava dormindo eles deveriam puxar o
travesseiro e dormir também. Isso é confiança. Isso é certeza de Seu Poder.
Esse
entendimento traz a resposta para a pergunta que ficou em aberto acima: “Como
podia haver uma tempestade estando Jesus no barco?”. “Como pode haver uma
tempestade quando estamos fazendo aquilo que o Senhor nos mandou fazer?” Foi
Jesus que mandou que entrassem no barco e passassem para o outro lado.
A Presença de
Jesus não nos garante ausência de problemas, tempestades e dores. A presença de
Jesus nos garante que sairemos ilesos deles. Se confiamos n’Ele, se sabemos que
estamos enfrentando uma circunstância difícil fazendo ou estando onde Ele nos
quer, então só nos resta uma saída: descansar.
Se o Mestre
dorme profundamente, não pensemos como os aprendizes que iam com Ele no barco:
que Ele pouco Se incomoda que venhamos a perecer. Se o Mestre dorme, durmamos.
Bom é
trazermos à lembrança o que nos dá esperança:
“Aquietai-vos e sabei que Eu Sou Deus,” (Sl
46:10).
“Porque
assim diz o Senhor Deus, o Santo de Israel: Em vos converterdes e em
sossegardes, está a vossa salvação; na tranqüilidade e na confiança, a vossa
força”, (Is 30:15).
Denise Gaspar
19-01-2007
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